O GRUPO CARRINHO E A CEGUEIRA DOS QUE VÊEM
Por: MARIA LUÍSA ABRANTES
Data: 05/02/2026
Acabo de ler um artigo no Valor Econômico de 3/2/2026 , que aventa a hipótese do Grupo CARRINHO entrar no capital social da UNITEL . O Grupo CARRINHO nega , da mesma forma , que quando inicialmente se dizia que entraria no capital social do BFA para comprar acções do Estado, ainda que houvesse alguma relutância inicial do BPI . Porém , não admiraria .
Enfim , o Executivo começou por oferecer garantias soberanas ao Grupo Carrinho , que não tinha um objecto social vital , porque nao era uma empresa estratégica , havia muitas iguais .
- O Estado deu respaldo ao Grupo CARRINHO , desconhecemos a motivação , para que pudesse contrair um financiamento 1.000 milhões de euros , para um investimento inicial no valor de 600 milhões de dólares , destinado à construção de um complexo industrial de 17 Unidades Fabris . O conglomerado localizado no Município da Catumbela , foi executado com a parceria da Paramount Energy , SA e foi inaugurado a 29 de Novembro de 2019 .
- Em 2021 , foi concedida mais uma garantia soberana no valor de 56,9 milhões de euros , para a concessão de um financiamento pelo Deutsche Bank , através do BDA , para aquisição de equipamentos industriais para as Unidades de Produção na província de Benguela .
- Seguidamente foi atribuída a Gestão do Entreposto Aduaneiro ao Grupo CARRINHO, que saiu “ de fininho “ , depois de encaixar um bom valor , por alegadas irregularidades , falta de transparência na gestão e falta de supervisão, o que era de esperar de um Grupo que não tinha qualquer experiência nessa área .
- Foram impostos acordos de permuta , entre as empresas do Estado fornecedoras de sementes exclusivamente com o Grupo Carrinho e (mais ninguém) , que não usa dinheiro e monopoliza a produção existente . Foi ainda concedido por ajuste directo o fornecimento de produtos ago-industriais às Forças Armadas , mesmo os que não produz . Antes o monopólio do fornecimento às Forças Armadas , estava a cargo de um libanês conhecido por Fidel , ligado a outra facção dos DT , que continua nos bastidores servindo de facilitador .
Tráfico de influência , nepotismo e corrupção , embora tenham significados jurídicos diferentes, quase sempre andam de mãos dadas . Analisemos os elementos principais da entourage do Titular do Poder Executivo . Não esquecendo o vergonhoso e recente “ Caso Lussaty “ , porque não se responsabilizaram todos os Chefes dos que roubaram bilhões de dólares , de entre os quais o irmão do PR ?
O SINSE está mais preocupado com intrigas e nada diz sobre os testes a popularidade frequentes do seu Chefe . E’ preciso também não esquecer , o Director de Gabinete do PR , Edeltrudes Costa , que foi Ministro da Estado e Secretário Geral do antecessor , entre tantos outros , que com a sua péssima assessoria , mentiras e proteção de negócios “enterraram” o PR José Eduardo dos Santos . Se ainda assim foram poupados e repescados , não se poderia esperar melhores resultados .
O marketing politico e econômico “ per si “ não representa nada. Não se capta investimento privado ditecto , sem um ambiente propício à atração de investimento privado nacional e estrangeiro de qualidade , sem instituições fortes , sem independência dos tribunais , responsabilização pela prestação de contas , fiscalização , exército e segurança de Estado fortes e organizados . Não se cria emprego , não se cria riqueza .
Não tenho o habito de falar do que não sei . Por isso posso afirmar , que se a actuação do Executivo não for propositada , é porque há falta de visão , de estratégia e os planos de desenvolvimento , tal como os projectos estruturantes são encomendados “ chave na mão “ , sem a formação adequada do capital humano em número e em especialização . Pior do que isso , é o apadrinhamento do Executivo a grupos de micro empresários , que sem capital próprio , nem garantias bancárias se agigantaram .
Esses grupos tem ligações essencialmente a pessoas do Partido no poder e , para além de terem sido autorizados a contrair empréstimos avultadissimos , obtiveram garantias soberanas discricionárias . Até um ex menino de rua iletrado como Silvestre Tulumba e um ex continuo do Ministério do Comércio , mais tarde Deputado , como o Kapunga (que já partiu com a dívida ) , obtiveram financiamentos sem garantias bancárias , próximos de 1 bilhão de dólares . Levaram o BPC , o BESA e o BCI , praticamente a falência ( o Estado foi aos bolsos dos contribuintes) , para depois oferecerem o BCI ao Grupo CARRINHO , sem contar com os “buracos” noutros bancos estatais .
Contrariamente ao que o PR João Lourenço apregoou no início do seu mandato , os novos monopólios tem sido os únicos mais protegidos . Que o digam entre outros, a OMATAPALO, o Tulumba ( Grupo STI) , o Minouro com os ajustes directos, depois de ficar com os autocarros da MACON , a GEMCORP a Mota e Companhia e em primeiro lugar o Grupo CARRINHO . O Grupo CARRINHOaa , que começou como uma “ tasca “ é a coqueluche do momento , “ pau para toda a obra” e veio destronar o Grupo DT .
- Como é possível que o PR João Lourenço , que alega que os cofres ficaram vazios , autorize garantias soberanas , para emprestar a uma empresa familiar descapitalizada , para comprar com o dinheiro dos contribuintes o que pertence também do Estado , que por sua vez está a vender por falta de dinheiro ?
Estão-nos a fazer passar a todos por tolos . - Podemos reafirmar , que o BCI foi oferecido pelo Estado ao Grupo CARRINHO , porque já nos termos do Aviso no. 14/13 do BNA , de 25 de Dezembro, para a autorização da licença de um banco comercial , era exigido um capital social no valor 25 milhões de dólares , ao câmbio da altura equivalente a 2,5 mil milhões de Kwanzas . Todavia , em Dezembro de 2021 ( 8 anos depois ) , após uma injeção de 30 mil milhões de Kwanzas pelo Estado , o Grupo CARRINHO pagou por um banco com clientela e patrimônio imobiliário o módico valor de 28 milhões de dólares , ao câmbio da altura equivalente a 16,5 mil milhões de Kwanzas . A desvalorização do Kwanza nada tem a ver com a equivalência em dólares , que garante a robustez do banco perante os parceiros e os aforradores .
Por outro lado , a “clientela “ e o “ aviamento“ ( expectativa ) tem um preço muito elevado . Isto é , o Grupo CARRINHO só pagou praticamente pela licença , se compararmos ao que teria de pagar nos termos do Aviso 14/13 do BNA , 8 anos antes . Herdou activos no valor de 467.363 milhões de Kwanzas , resultados líquidos positivos de 4.198 milhões de Kwanzas e um passivo de 441.079 milhões de Kwanzas . Não é difícil verificar que não perdeu absolutamente nada , bem pelo contrário, ainda que tenham feito crer a alguns jornalistas o oposto .
Afinal , as mudanças do Executivo vigente só foram para pior . Mantêm-se as duas facções , uma mais enfraquecida , mas que também ainda não morreu , porque o Chefe da DT , Manuel Vicente , está no Dubai , tem antenas na SONANGOL e tem sido protegido pelo PR João Lourenço .
Da fome já nem se fala , devido ao encerramento das micro , pequenas e médias empresas , (que aumentaram o desemprego ) e à desvalorizando dos salários em cerca de 1.000% . Entretanto , a desvalorização administrativa do Kwanza e a inflação, empurraram as famílias a alimentarem-se dos contentores do lixo . Esse fenômeno nunca foi visto , nem durante o longo período de guerra , excepto nas zonas ocupadas .
Ate quando os angolanos conscientes e letrados vão fingir que não veem , nem entendem que estão a contribuir para a extinção dos angolanos em massa , por falta de condições condignas para sobreviver ?
Tudo isso será pela ambição de cair de paraquedas na cadeira de um qualquer Ministério , do Parlamento, , de um Tribunal Superior , ou da Presidência da República ?
– Então repetirão , que o PR “ é corajoso “ , possivelmente por nomear incompententes , comandados por assessores estrangeiros que os substituem . Enquanto isso , a população morre de forme , pede na rua e são enterrados diariamente às centenas , em todas as localidades do país .
INVESTIDORES ESTRANGEIROS OU FINANCIAMENTO DE IVOIRIENSES ?
– A estória do investimento estrangeiro em estradas por um Grupo empresarial da Costa do Marfim está muito mal contada .
Em primeiro lugar, não estou a ver como é que uma empresa com apenas 3 anos , tem capacidade técnica para construir grandes estradas , quando ainda não construiu no seu país.
– Em segundo lugar, o investimento na construção de estradas nunca foi investimento (directo) estrangeiro . Nem as parcerias públicos privadas para construção de infraestruturas públicas são executadas com recurso ao investimento estrangeiro ( com risco ) . Há sim mobilização de financiamento privado com a autorização dos projectos pelo Estado , ou carta(s) de conforto ( garantias do Estado). No caso das estradas, ou o Estado paga a obra, ou nas PPP presta a garantia para a mobilização do financiamento e depois da execução , pode deixar o parceiro estrangeiro gerir as estradas por determinado período .
– Por outro lado , com a alteração da legislação, ainda que se tratasse de um investidor estrangeiro , infelizmente poderia mais à vontade (porque antes já estavam à vontade ) , recorrer ao crédito interno para a implementação dos seus projectos . A grande diferença é que os estrangeiros podem transferir dividendos para o exterior e o nacional não .
– Mais grave ainda , porque os fictícios investidores “ estrangeiros “ , podem transferir dividendos antes mesmo de concluir a execução total do projecto . Por essa razão os DTT angolanos, criam empresas “off shore “ e vem passar-se por estrangeiros no próprio país. Aliás , as alterações às leis são em benefício próprio , ou aceitam proteger “ testas de ferro “, ou empresas sem histórico no mercado .
A PROPÓSITO DOS VOTOS DA DIÁSPORA A ANDRÉ VENTURA
Por: MARIA LUÍSA ABRANTES
Data: 20/01/2026
Aprecio alguns dos escritos de Denilson Duro . Todavia , discordo de parte do texto publicado no Club K , quando diz , que a mão de obra portuguesa residente em Angola que votou em André Ventura , ( à semelhança de tantos outros consultores da nossa praça contratados ) , é qualificada . Critica -os por votaram a favor de alguém com um discurso contra a imigração desordenada , mas o candidato está no seu direito .
– Os angolanos também deveriam criticar a importação de tantos consultores estrangeiros , com tantos quadros que Angola já formou , inclusive nas melhores Universidades do mundo . Os consultores e investidores estrangeiros , têm a obrigação legal de formar e capacitar quadros angolanos . Não o fazem para se manter a ganhar salários exorbitantes e não são incomodados por isso . Quem os incomodar será punido pelo Executivo , ainda que a Sra. Christine Lagarde , durante o seu mandato a frente do FMI , tenha denunciado o facto dos países africanos exagerarem na contratação de consultores estrangeiros .
– Discordo, porque a maioria desses portugueses que vivem a nossa custa , não conseguem funcionar , sem que os quadros angolanos lhes forneçam dados e vivem de pesquisas como qualquer angolano letrado e capacitado pode fazer .
– Discordo , porque muitos desses portugueses cooperantes , ainda têm de estudar a nossa legislação fiscal , ou financeira , ou sobre o investimento privado , administrativa , etc. , que desconhecem em absoluto. Só os códigos Penal , Civil e das Sociedades são similares.
– Discordo , porque se fossem tão qualificados , esses portugueses residentes em Angola, estariam a exercer as suas funções num país desenvolvido. Eles estão em Angola porque estão no desemprego , ou porque ou não são tão qualificados, ou porque acabaram de ser formados .
– Infelizmente e vergonhosamente, os portugueses e outros estrangeiros , vêm para Angola a ganhar 1.000% ou mais , do que os quadros nacionais com a mesma formação e capacidade e tirar o emprego aos angolanos desempregados , ou sub-empregados .
Relembro , que o PR JES promulgou um Decreto a acabar com a diferença de salários entre estrangeiros e angolanos , mas só durou alguns meses. O “lobby “ dos monopolistas DDT ( Donos Disto Tudo) , ligado ao poder que se mantém , conseguiu que fosse anulado o referido Decreto . Certamente afectaria os seus bolsos , porque ou são mixeiros , ou sócios indirectos das empresas prestadoras de serviços estrangeiras .
A maioria dos estrangeiros que faz consultoria , ou negócios dúbios em Angola desprezam-nos e merecemos . Merecemos , porque aceitamos ter uma administração do país fraca e anárquica , com uma liderança de faz de conta que nos humilha , por uns “ trocados“ e por falta de dignidade .
Estamos no país dos ajustes directos , dos milagres da multiplicação do dinheiro de servidores do Estado . O país cuja Baía de Luanda aparece na CNN , ou no EURONEWS , mas não se sente o cheiro a fossa , nem a parte cheia de lixo que boia nas águas e vai desaguar nas praias. Enfim , o país da “ Alice “ .
Temos os residentes portugueses e de outras nacionalidades , assim como a liderança que merecemos .
Nem Tudo O Que Parece É
Muito pior foi ainda, com a arrogância dos juristas que aconselham mal o nosso Executivo, baseando-se nos trabalhos de “copy paste” dos sócios portugueses, mesmo depois de terem perdido a Acção em tribunal no Reino Unido, querer “ tapar o sol com a peneira” perante a população, não admitindo que tinham sido derrotados por precipitação.
A BAIXA DA INFLAÇÃO E A FIABILIDADE DOS DADOS DO INE
Por: Maria Luísa Abrantes
Data: 12/01/2026
O Executivo anunciou que a inflação em 2025 desceu aos 15,7 % , justificando a sua baixa acentuada relativamente ao ano de 2024 , em que foi de 27,5% , com o aumento da oferta de produtos e de serviços.
– Em primeiro lugar , não seremos os primeiros a questionar a fiabilidade dos dados estatísticos do INE , sobretudo nos últimos 8 anos , ( questionando sobre a qualidade dos dados estatísticos , compilados pelos diversos departamentos ministeriais enviados ao INE).
– Em segundo lugar , é prática o Estado solicitar empréstimos nos últimos meses do ano para cobrir o déficit orçamental . Isto é , para financiar o “ buraco “ quando a despesa é maior que a receita . Para cobrir essa falta de dinheiro, o governo pode ainda emitir títulos financeiros públicos .
– Em terceiro lugar , se o empréstimo for conseguido no mercado nacional , com a poupança local , o impacto directo na oferta da moeda é menor . O Banco Nacional de Angola mantendo as taxas de juro elevadas e o crédito caro , obriga a redução do consumo e por essa razão, não nos parece normal assistir-se ao fenômeno inverso .
– Só se entende que o consumo possa ter aumentado no ano de 2025 , ajudado no ultimo mês pelas compras de Natal e Ano Novo ( incluindo de produtos importados) . Não porque a produção e produtividade nacional tenham aumentado .
– Não existem milagres com o crédito à produção escasso e também não existem dados consistentes do Ministério do Trabalho , sobre a taxa real de desemprego .
– Porém , sempre que os empréstimos se destinarem ao investimento produtivo de longo prazo ( e vemos todos os ex projectos imobiliários do grupo dos DDT , de Manuel Vicente a “ bumbar“, não sendo anunciado a quem pertencem agora) , O IMPACTO PODE SER DIFERENTE e fazer baixar a taxa de inflação .
A maior verdade é mesmo que , os empréstimos de última hora apenas financiam o déficit orçamental , aumentando a divida publica e mais juros , a pagar pelos contribuintes .
A UNIÃO AFRICANA ESQUECEU-SE DO GUINEENSE SIMOES PEREIRA?
Por: MARIA LUÍSA ABRANTES
Data: 05/01/2026
Haverá alguma norma jurídica legal , do governo ilegal da Guiné Bissau , que lhes permita manter o cidadão Guineese Simões Pereira na prisão ?
– Cadê os esforços da União Africana , já que os PALOP estarão mais preocupados com Maduro ?
– Cadê a intervenção pessoal do Presidente em exercício da União AFRICANA , que após o golpe de Estado no Gabão , foi negociar pessoalmente o resgate dos corruptos declarados Ali Bongo , esposa e filho ?
– Temos a certeza que o PR da União Africana João Lourenço , poderá utilizar os mesmos argumentos e enviar um dos seus aviões privados , para resgatar o nosso irmão africano Simões Pereira . Desta vez seria por uma causa nobre .
– Só unidos seremos mais fortes.
O PREÇO DA INCOMPETÊNCIA
Por: MARIA LUÍSA ABRANTES
Data: 05/01/2025
Embora apoie em absoluto a luta contra o narcotráfico internacional e seja a favor do método da negociação para todo o tipo de ” commodities ” ( incluindo o petróleo escasso ) , assim como de outros tipos de ilicitude , ( excluindo os crimes hediondos ) , sou do parecer que cada coisa é uma coisa .
Não é normal que em pleno século XXI , voltemos aos tempos quando por ordem de um monarca , se ocupava qualquer território sem necessidade de permissão ou negociação . Mesmo nesses casos , quase sempre a ocupação era legitimada por negociação , selada pelo casamento dos filhos do invasor e do invadido , ficando o novo território em posse das duas famílias. Desta feita , substituem-se os cavalos e as naus ( caravelas a vela ) , por aviões e navios de combate .
– As novas invasões não tem apenas a ver com tecnologia , ou com a economia global , mas com soberania , com as normas de Direito Internacional Público e com o respeito pelos Direitos Humanos .
Infelizmente , os politicos do velho continente ( União Europeia) , após a queda das dinastias , criaram Partidos políticos de amigos , agrupando-se por diferentes extractos sociais . Como não sabem fazer mais nada , limitam-se a dizer YES e não ousam argumentar . Por má gestão , receiam retaliações em termos de tarifas aduaneiras dos EUA , para não limitar a colocação dos seus produtos de exportação ( mercado) e aceitam imposições .
– O actual Secretário Geral das Nações Unidas , sendo oriundo de um desses Partidos políticos de amigos , de um país europeu sem expressão como Portugal , também não é respeitado . Para não perderem os tachos , os líderes da União Europeia são todos subservientes .
– Da União Africana , fora os líderes golpistas , que na verdade também só perpetraram as intentonas , para obterem o poder pela força , por falta de perfil para ganhar em eleições livres e transparentes , ( não pelo bem dos seus povos em geral ) , nada se espera . O problema é que , utilizando também métodos retrogrados , como o tribalismo e o racismo , os incapazes em termos de conhecimento , usam o poder das armas para se colocarem e perpetuarem no poder . Estes introduzem no sistema , as suas famílias, amigos e ” mulheres ” . Infelizmente para piorar , tem uma mentalidade muito atrasada ( retrograda) trazida de casa , a que chamam ” cultura “. E assim , vamos-nos aniquilando uns aos outros pela ambição , cobiça e maldade , traindo não só os “amigos”, como até os “irmãos”, mesmo cientes que a vida é uma passagem muito curta .
Afinal, a maior parte da riqueza mundial , está concentrada numa minúscula parcela da população , em que apenas 1% das pessoas detém cerca de metade da riqueza global . Os 10% mais ricos controlam cerca de 75% a 76%, com os 50% mais pobres ficando com uma fatia minúscula, como 2%. Relatórios recentes indicam que apenas 56 mil pessoas (0,001% da população) possuem tanta riqueza quanto os 4 bilhões de pessoas mais pobres.
– O mais bizarro é que só 1 % dos mais ricos , detém aproximadamente 45% a 48% da riqueza pessoal global, ou seja, quase metade do total. Quando morrer levarão isso tudo ?
– Em termos de política externa, culturalmente os Estados Unidos de América nunca respeitarão quem fica calado ou só diz AMEN , contrariamente ao que muitos líderes subservientes pensam . É preciso mostrar lucidez com argumentos válidos , convicção e provas ( documentadas ) .
NOTA ATRIBUÍDA AO DESEMPENHO DO EXECUTIVO EM 2025
Por: MARIA LUÍSA ABRANTES
Data: 26/12/2025
A pontuação que daria ao desempenho sócio-econômico do governo em 2025 de 0 a 10 , seria 0 ( zero ) , pelas razões que passo a descrever :
– As Conferências organizadas e/ou promessas que das mesmas possam advir , relativamente a financiamentos ( empréstimos ) para projetos estruturantes de vulto , ainda não se materializaram com a execução e inauguração dos mesmos . Nessas conferências , grande parte das despesas com alojamento e transporte de convidados , foram em muitos casos pagos pelo governo sem necessidade .
– Há um enfraquecimento da estabilidade politica . Por isso atiram indiscriminadamente para a população a matar , inclusive pelas costas , quando há manifestações. Poderiam , em vez de armas com balas reais , usar jactos de água e de gases lacrimogêneo e obrigam os trabalhadores a ficarem em casa sem trabalhar , quando o Executivo recebe visitas importantes do exterior ;
– Sistema judicial não independente .
– instituições do Estado fracas , com falta de transparência e de prestação de contas com reservas pelas empresas estatais . Não há transparência na rubrica de despesas extraordinárias . Segurança de Estado muito deficiente , Forças Armadas e da Polícia Nacional debilitadas ( falta de fardamento, alimentação deficiente, treinamento irregular e insuficiente . Os policiais são frequentemente agredidos por civis e sobrevivem da ” gasosa” ).
– O censo de 2024 foi inconclusivo . Ficou de fora 28,3% da população , o que é grave , pois essa população não conta para ter acesso ao ensino , aos cuidados primários de saúde , ao saneamento básico , desconhecendo-se em que condições sobrevivem .
– Aumento do endividamento de curto e médio prazo no exterior , para pagamento da divida , ou para financiamento de empreendimentos nem sempre prioritários , no que se refere ao impacto final sócio-económico. A maioria dos contratos tem sido adjudicados por ajuste direto . Foram concedias garantias soberanas e cartas de conforto , a parceiros privados nacionais e estrangeiros , de forma pouco transparente .
– Em 2024 , o stock da dívida externa de cerca de 53,5% do PIB já era elevada , para uma economia não diversificada como a angolana . Em 2025 , segundo o FMI , prevê-se que stock da dívida externa ascenda a cerca de 63,5% do PIB , aumentando o endividamento.
Só de juros da dívida , a previsão para 2025 é de cerca de 5,2.% do PIB .
– Cerca de 83% da dívida externa tem exposição cambial , sendo maioritariamente indexada a taxas variáveis ( LIBOR/EURIBOR ) , com a agravante de Angola ter entrado para a lista cinzenta do GAFI .
– Angola saiu da OPEP , com o argumento de que pretendia ultrapassar a produção diária de 1.110.000 barris/dia ( BPD) imposta pela OPEP , para o mínimo de 1.200.000 (BPD) . Pelo contrário , não atingiu a média proposta pela OPEP , muito menos a proposta no OGE para 2025 , produzindo em média apenas cerca de 1 milhão de (BPD . Chegou-se a produzir abaixo desse número , dando origem à queda de produção em 10,7% relativamente ao orçamentado , por falta de investidores , para além da oscilação do preço do petróleo .
– Não obstante em 2025 tenha havido uma maior contribuição no PIB do sector não petrolífero , estranhamente , segundo o INE , o sector que mais cresceu ( sem vermos os resultados palpáveis ) , foi o sector da informação e comunicação . Segundo o INE , a contribuição desse sector para o PIB não petrolífero , no 2o. trimestre foi de 55,67% , contra 38,1% no 1o. trimestre ( uma percentagem bastante elevada). Ainda assim, durante o discurso do Presidente João Lourenço sobre o Estado na Nação , este referiu , que a produção petrolífera representava cerca de 98% das exportações e 75% das receitas . Esses números são ilustrativos da fraca qualidade da produção interna , aliás insuficiente para o consumo interno . Angola em 2024 importou cerca de 15,02 bilhões de dólares ( mil milhões) . Prevê-se para 2025 um aumento nas importações de 34,71% relativamente a 2024 .
– A previsão da contribuição das empresas nacionais para o Sector petrolífero , seria de 20% de acordo com a legislação sobre o conteúdo local . Todavia , a participação das empresas nacionais só corresponde 1,9% dos negócios . Dessa percentagem , as empresas nacionais ainda subcontratam cerca de 1% de empresas estrangeiras . As empresas locais , ficam residualmente só com cerca de 0,9% dos negócios. Em cerca de 4 anos , do valor de custos da indústria petrolífera de cerca de 78,5 mil milhões de dólares , apenas 1,8 mil milhões de dólares foi destinado às empresas residentes cambais , ficando no país somente 0,9% desse valor .
– O aumento da contribuição do sector produtivo para o PIB não petrolífero ainda é insipiente , comparativamente com o grande potencial em recursos hídricos , terras aráveis e com crescimento anormal do capital humano ocioso . Aumentou o número de cidadãos que passou a alimentar-se directamente do lixo , o que nunca aconteceu mesmo durante os 28 anos de guerra , devido encerramento ou fraco funcionamento de inúmeras empresas e explorações agrícolas . Existe nitidamente o favorecimento a monopólios e oligopólios , o que piora o ambiente de negócios , onde se incluiem entre outros , nomeadamente , a falta de credibilidade das instituições , que afecta a confiança dos potenciais investidores ; a desvalorização do Kwanza ; a elevada taxa de inflação ; o péssimo funcionamento da AGT , que está quase sempre sem sistema e multiplica ( repete ) a cobrança dos impostos já elevados ; as taxas de juros elevadíssimas para acesso ao credito e a péssima condição das infraestruturas básicas .
– Por negligência dos serviços de Defesa , Segurança e Ordem Interna , para além da invasão de cidadãos de países africanos , com destaque para os cidadãos da RDC , aumentaram as perdas financeiras anuais , nomeadamente :
– Cerca de 6 bilhões ( mil milhões) de dólares , com a saída ilegal de diamantes , por cidadãos da RDC , ( que só tem a qualidade Industrial );
– Cerca de 500 milhões de dólares , com a pesca ilegal ;
– Péssima prestação dos Ministérios do Ambiente , do Comércio e da Indústria ( raramente tem sistema informático funcional e fiscalizam só o que convém ) e do Ministério da Justiça ( inclui as instituições que tutela ) .
– Péssima prestação dos Ministério das Finanças ( inclui as instituições que tutela ) e da Energia e Águas .
– Péssima prestação dos Ministérios dos Transportes ( inclui as instituições que tutela) ; do Ministério da Administração do Território e do Ministério da Construção e Habitação .
– Péssima prestação do Ministério do Interior ( inclui os órgãos que tutela , com destaque para o SIC ).
– Má prestação dos restantes Departamentos ministeriais , no que respeita a morosidade e fraca qualidade de atendimento , ausência de resposta e organização interna .
O EXECUTIVO PROTEGE O MILHO DOS MONOPÓLIOS ?
Por: MARIA LUÍSA ABRANTES
Data: 26/12/2025
Uma das notícias do dia , é que Angola gastou 100 milhões de dólares na importação de milho , nos últimos 11 meses do ano. Por outro lado , há ” ordens superiores ” para que os produtores nacionais entreguem todo o milho produzido só ao Grupo Carrinho , não que paga a dinheiro . Quando os produtores precisarem de insumos , em troca , o Grupo Carrinho que foi alavancado a 100% por garantias do Estado , ( antes era uma “tasca “) fornece ou não , ( quando pode e como lhe convier ) , o que “parceiros ” necessitam . No entanto, está APARENTEMENTE (como sempre), expressamente proibida ” sem excepção ” a importação de milho , visando a substituição de produtos agrícolas importados por nacionais .
– Mas houve mais uma vez excepções . É assim que o Executivo quer diversificar a economia ?
O monopólio do milho e derivados , está nas “mãos ” do Grupo CARRINHO e ao libanês ” Fidel ” , que chegou a Angola com uma mão a frente e uma mão atrás . O Fidel fornece o que falta ao Grupo CARRINHO.
Mas a pergunta que não se quer calar é :
– Qual é a diferença entre a criação das grandes empresas privadas nacionais , como por exemplo, a Biocom , a UNITEL , a SOMOIL ( YETU ENERGY ) , entre tantas outras , ( e até internacionais) , criadas durante o anterior regime e o Grupo CARRINHO , assim como as empresas do Tulumba , ou a OMATAPALO ?
Como jurista , desconheço leis que engajem o Estado a oferecer garantias soberanas de milhões de dólares , ou cartas de conforto a investidores privados a 100% , escolhidos ” por obra e graça do Espírito Santo ” , nem que autorizem as instituições bancárias do Estado, ou a empresa petrolífera do Estado SONANGOL , a financiar projectos privados . Ainda por cima , empresas cujos associados não apresentaram garantias reais adequadas e muitíssimo menos, que recorressemà SONANGOL .
O Estado estaria autorizado a financiar o valor correspondente a sua participação em empresas mistas , ou em parcerias públicas privadas (PPP) , nos termos dos contratos assinados, só após a validação do Tribunal de Contas .
Em Angola , para além de não existir separação entre os poderes Executivo , Legislativo e Judicial, o primeiro manipula a opinião pública nacional e internacional , desconhecedora dos meandros da legislação vigente . Todavia , não pode manipular quem tem conhecimento e experiência sobre a matéria .
Tentaram tapar alguns ” buracos ” e abrir mais algumas brechas, para continuarem a sangrar as divisas das RIL ( desinvestimento massivo ) , como por exemplo, bastar o capital social irrisório para criar uma empresa estrangeira a operar no país ; para poderem ter acesso ao investimento interno e para transferirem dividendos antes do investimento terminado . Para o efeito , puseram mais duas ” raposas no galinheiro ” . Daí , pessoas colectivas nacionais ligadas ao regime , terem também criado empresas ” estrangeiras” , como se de investidores estrangeiros se tratasse , assim como parte do dinheiro conseguido pelas empresas alavancadas pelo Estado , serviu para abrirem as suas sucursais no exterior .
Angola é de facto , um país , onde sucedem grandes milagres. Um indivíduo entra no serviço militar regular pauperrimo e acaba a carreira trilionário , enquanto nas mesmas condições, a maioria acaba na sarjeta , 50 anos depois a independência.
O EXECUTIVO PROTEGE O MILHO DOS MONOPÓLIOS ?
Por: MARIA LUÍSA ABRANTES
Data: 19/12/2025
Uma das notícias do dia , é que Angola gastou 100 milhões de dólares na importação de milho , nos últimos 11 meses do ano. Por outro lado , há ” ordens superiores ” para que os produtores nacionais entreguem todo o milho produzido só ao Grupo Carrinho , não que paga a dinheiro . Quando os produtores precisarem de insumos , em troca , o Grupo Carrinho que foi alavancado a 100% por garantias do Estado , ( antes era uma “tasca “) fornece ou não , ( quando pode e como lhe convier ) , o que “parceiros ” necessitam . No entanto, está APARENTEMENTE (como sempre), expressamente proibida ” sem excepção ” a importação de milho , visando a substituição de produtos agrícolas importados por nacionais .
– Mas houve mais uma vez excepções . É assim que o Executivo quer diversificar a economia ?
O monopólio do milho e derivados , está nas “mãos ” do Grupo CARRINHO e ao libanês ” Fidel ” , que chegou a Angola com uma mão a frente e uma mão atrás . O Fidel fornece o que falta ao Grupo CARRINHO.
Mas a pergunta que não se quer calar é :
– Qual é a diferença entre a criação das grandes empresas privadas nacionais , como por exemplo, a Biocom , a UNITEL , a SOMOIL ( YETU ENERGY ) , entre tantas outras , ( e até internacionais) , criadas durante o anterior regime e o Grupo CARRINHO , assim como as empresas do Tulumba , ou a OMATAPALO ?
Como jurista , desconheço leis que engajem o Estado a oferecer garantias soberanas de milhões de dólares , ou cartas de conforto a investidores privados a 100% , escolhidos ” por obra e graça do Espírito Santo ” , nem que autorizem as instituições bancárias do Estado, ou a empresa petrolífera do Estado SONANGOL , a financiar projectos privados . Ainda por cima , empresas cujos associados não apresentaram garantias reais adequadas e muitíssimo menos, que recorressemà SONANGOL .
O Estado estaria autorizado a financiar o valor correspondente a sua participação em empresas mistas , ou em parcerias públicas privadas (PPP) , nos termos dos contratos assinados, só após a validação do Tribunal de Contas .
Em Angola , para além de não existir separação entre os poderes Executivo , Legislativo e Judicial, o primeiro manipula a opinião pública nacional e internacional , desconhecedora dos meandros da legislação vigente . Todavia , não pode manipular quem tem conhecimento e experiência sobre a matéria .
Tentaram tapar alguns ” buracos ” e abrir mais algumas brechas, para continuarem a sangrar as divisas das RIL ( desinvestimento massivo ) , como por exemplo, bastar o capital social irrisório para criar uma empresa estrangeira a operar no país ; para poderem ter acesso ao investimento interno e para transferirem dividendos antes do investimento terminado . Para o efeito , puseram mais duas ” raposas no galinheiro ” . Daí , pessoas colectivas nacionais ligadas ao regime , terem também criado empresas ” estrangeiras” , como se de investidores estrangeiros se tratasse , assim como parte do dinheiro conseguido pelas empresas alavancadas pelo Estado , serviu para abrirem as suas sucursais no exterior .
Angola é de facto , um país , onde sucedem grandes milagres. Um indivíduo entra no serviço militar regular pauperrimo e acaba a carreira trilionário , enquanto nas mesmas condições, a maioria acaba na sarjeta , 50 anos depois a independência.


