Por: MARIA LUÍSA ABRANTES
Data: 20/10/2026
– A União Europeia aparentemente subjugou-se aos desígnios políticos do Presidente Trump e estão a pagar a “ fatura “ . Países do G7 como a Alemanha e França , estão a sofrer as consequências econômicas e sociais indesejáveis. A Alemanha está a perder o espaço que lhe pertencia indiscutivelmente como o “motor” da economia europeia , devido a uma combinação de estagnação , crise industrial e mudanças geopolíticas globais.
– O Presidente Trump, durante uma fase de instabilidade econômica , impôs a União Europeia a compra de combustível mais caro aos Estados Unidos , em detrimento da aquisição de produtos energéticos da vidinha Rússia , a preços mais acessíveis . Usou como pretexto o pacote de sanções aplicadas à Rússia , por não ceder as suas propostas , relativamente ao cessar fogo na guerra contra a Ucrânia .
– A forma de actuação usada pelo Presidente Trump na aplicação das tarifas alfandegárias, para tentar enfraquecer economicamente a concorrência de grandes potências , tais como a China , a Rússia , a própria União Europeia, etc. , ( recuando sempre que a situação económica interna assim exigia ) , tem beneficiado a curto prazo a economia americana . Isto é , se os Estados Unidos são os primeiros e se possível os únicos a beneficiar do preço baixo do petróleo russo , sem prevenir antecipadamente os seus vizinhos , somente os aliados sairão a perder .
– Na União Europeia à excepção do Primeiro Ministro de Espanha , começando pela Presidente da União Europeia Ursula von der Leyen , os Estados membros deixaram-se intimidar pelo Presidente Trump, incluindo o governo Alemão , a excepção do Primeiro Ministro Espanhol . Cederam inclusive’ , à exigência de aumentar a contribuição anual para os gastos da NATO para 25% . Os países membros da UE acordaram uma percentagem intermédia de 3,5%/ano e atingir os 5% até 2035 .
– Com o aumento do preço do petróleo e do gás , das contribuições para suportar a guerra Russia/Ucrânia , do número de imigrantes ilegais , entre outros ,a Europa está a atravessar uma crise sócio-económica de extrema gravidade . Enquanto na crise de 2008/2009 , a Alemanha , actuou como a “âncora financeira” da Zona Euro , capitalizando os seus bancos para resgatar economias periféricas , no biénio 2025/2026 o país tem enfrentado um endividamento sem precedentes e estagnação económica.
– Em 2008, o modelo alemão baseava-se em energia barata , pela aquisição do gás russo e exportações para a China. Actualmente, o governo alemão vê-se obrigado a financiar-se externamente para responder as suas obrigações financeiras , econômicas e sociais internas . A Alemanha conjuntamente com o FMI financiou , a Grécia , a Irlanda, a Espanha, o Chipre e Portugal .
– Devido a conjuntura geopolítica em que se subordinam as imposições do Presidente Trump, a Alemanha aprovou despesas militares elevadíssimas, no valor de 83 mil milhões de euros em 2026 , para além dos fundos extra-orçamentais , financiados inteiramente por emissão de dívida.
– O governo alemão contornou as regras fiscais , criando um Fundo de Infraestruturas e Clima de 500 mil milhões de euros.
– A Alemanha perdeu a competitividade da indústria automóvel para a China , onde a AUDI fez parceria com a empresa chinesa estatal SAIC e , os custos de energia arrastaram o país para o seu sétimo ano de estagnação económica.
– Todavia , pese embora os números alarmantes da dívida externa , o que impede a Alemanha da insolvência imediata é a posição do seu Investimento Internacional Líquido (IIP). Já a França e os outros países membros da UE não tem essa almofada .
– A verdade . é que a Alemanha continua a ser um credor líquido global. O país possui activos no estrangeiro de cerca de 15,2 trilhões de euros , superando as suas obrigações , no valor de cerca de 11,1 trilhões de euros).
– A dívida externa Alemã é de cerca de 7,28 trilhões de euros (cerca de 8,14 mil milhões/bilhões de dólares USD) , no primeiro trimestre de 2026, o que representa cerca de 149,6% do PIB do país.
* O Estado e as empresas alemãs estão a endividar-se a níveis nunca vistos , mas a riqueza acumulada no passado ainda funciona como um amortecedor. A Alemanha continua a ser um credor global . O país possui no estrangeiro activos no valor de cerca de 15,2 biliões de euros , superiores as suas obrigações no valor de cerca do 11,1 biliões de euros . O governo alemão está a investir no melhoramento das suas infraestruturas básicas , proporcionando emprego , revitalização da prestação de serviços e consumo que aquece a sua economia , mas não o suficiente.

