Por: MARIA LUÍSA ABRANTES
Data: 05/02/2026
Acabo de ler um artigo no Valor Econômico de 3/2/2026 , que aventa a hipótese do Grupo CARRINHO entrar no capital social da UNITEL . O Grupo CARRINHO nega , da mesma forma , que quando inicialmente se dizia que entraria no capital social do BFA para comprar acções do Estado, ainda que houvesse alguma relutância inicial do BPI . Porém , não admiraria .
Enfim , o Executivo começou por oferecer garantias soberanas ao Grupo Carrinho , que não tinha um objecto social vital , porque nao era uma empresa estratégica , havia muitas iguais .
- O Estado deu respaldo ao Grupo CARRINHO , desconhecemos a motivação , para que pudesse contrair um financiamento 1.000 milhões de euros , para um investimento inicial no valor de 600 milhões de dólares , destinado à construção de um complexo industrial de 17 Unidades Fabris . O conglomerado localizado no Município da Catumbela , foi executado com a parceria da Paramount Energy , SA e foi inaugurado a 29 de Novembro de 2019 .
- Em 2021 , foi concedida mais uma garantia soberana no valor de 56,9 milhões de euros , para a concessão de um financiamento pelo Deutsche Bank , através do BDA , para aquisição de equipamentos industriais para as Unidades de Produção na província de Benguela .
- Seguidamente foi atribuída a Gestão do Entreposto Aduaneiro ao Grupo CARRINHO, que saiu “ de fininho “ , depois de encaixar um bom valor , por alegadas irregularidades , falta de transparência na gestão e falta de supervisão, o que era de esperar de um Grupo que não tinha qualquer experiência nessa área .
- Foram impostos acordos de permuta , entre as empresas do Estado fornecedoras de sementes exclusivamente com o Grupo Carrinho e (mais ninguém) , que não usa dinheiro e monopoliza a produção existente . Foi ainda concedido por ajuste directo o fornecimento de produtos ago-industriais às Forças Armadas , mesmo os que não produz . Antes o monopólio do fornecimento às Forças Armadas , estava a cargo de um libanês conhecido por Fidel , ligado a outra facção dos DT , que continua nos bastidores servindo de facilitador .
Tráfico de influência , nepotismo e corrupção , embora tenham significados jurídicos diferentes, quase sempre andam de mãos dadas . Analisemos os elementos principais da entourage do Titular do Poder Executivo . Não esquecendo o vergonhoso e recente “ Caso Lussaty “ , porque não se responsabilizaram todos os Chefes dos que roubaram bilhões de dólares , de entre os quais o irmão do PR ?
O SINSE está mais preocupado com intrigas e nada diz sobre os testes a popularidade frequentes do seu Chefe . E’ preciso também não esquecer , o Director de Gabinete do PR , Edeltrudes Costa , que foi Ministro da Estado e Secretário Geral do antecessor , entre tantos outros , que com a sua péssima assessoria , mentiras e proteção de negócios “enterraram” o PR José Eduardo dos Santos . Se ainda assim foram poupados e repescados , não se poderia esperar melhores resultados .
O marketing politico e econômico “ per si “ não representa nada. Não se capta investimento privado ditecto , sem um ambiente propício à atração de investimento privado nacional e estrangeiro de qualidade , sem instituições fortes , sem independência dos tribunais , responsabilização pela prestação de contas , fiscalização , exército e segurança de Estado fortes e organizados . Não se cria emprego , não se cria riqueza .
Não tenho o habito de falar do que não sei . Por isso posso afirmar , que se a actuação do Executivo não for propositada , é porque há falta de visão , de estratégia e os planos de desenvolvimento , tal como os projectos estruturantes são encomendados “ chave na mão “ , sem a formação adequada do capital humano em número e em especialização . Pior do que isso , é o apadrinhamento do Executivo a grupos de micro empresários , que sem capital próprio , nem garantias bancárias se agigantaram .
Esses grupos tem ligações essencialmente a pessoas do Partido no poder e , para além de terem sido autorizados a contrair empréstimos avultadissimos , obtiveram garantias soberanas discricionárias . Até um ex menino de rua iletrado como Silvestre Tulumba e um ex continuo do Ministério do Comércio , mais tarde Deputado , como o Kapunga (que já partiu com a dívida ) , obtiveram financiamentos sem garantias bancárias , próximos de 1 bilhão de dólares . Levaram o BPC , o BESA e o BCI , praticamente a falência ( o Estado foi aos bolsos dos contribuintes) , para depois oferecerem o BCI ao Grupo CARRINHO , sem contar com os “buracos” noutros bancos estatais .
Contrariamente ao que o PR João Lourenço apregoou no início do seu mandato , os novos monopólios tem sido os únicos mais protegidos . Que o digam entre outros, a OMATAPALO, o Tulumba ( Grupo STI) , o Minouro com os ajustes directos, depois de ficar com os autocarros da MACON , a GEMCORP a Mota e Companhia e em primeiro lugar o Grupo CARRINHO . O Grupo CARRINHOaa , que começou como uma “ tasca “ é a coqueluche do momento , “ pau para toda a obra” e veio destronar o Grupo DT .
- Como é possível que o PR João Lourenço , que alega que os cofres ficaram vazios , autorize garantias soberanas , para emprestar a uma empresa familiar descapitalizada , para comprar com o dinheiro dos contribuintes o que pertence também do Estado , que por sua vez está a vender por falta de dinheiro ?
Estão-nos a fazer passar a todos por tolos . - Podemos reafirmar , que o BCI foi oferecido pelo Estado ao Grupo CARRINHO , porque já nos termos do Aviso no. 14/13 do BNA , de 25 de Dezembro, para a autorização da licença de um banco comercial , era exigido um capital social no valor 25 milhões de dólares , ao câmbio da altura equivalente a 2,5 mil milhões de Kwanzas . Todavia , em Dezembro de 2021 ( 8 anos depois ) , após uma injeção de 30 mil milhões de Kwanzas pelo Estado , o Grupo CARRINHO pagou por um banco com clientela e patrimônio imobiliário o módico valor de 28 milhões de dólares , ao câmbio da altura equivalente a 16,5 mil milhões de Kwanzas . A desvalorização do Kwanza nada tem a ver com a equivalência em dólares , que garante a robustez do banco perante os parceiros e os aforradores .
Por outro lado , a “clientela “ e o “ aviamento“ ( expectativa ) tem um preço muito elevado . Isto é , o Grupo CARRINHO só pagou praticamente pela licença , se compararmos ao que teria de pagar nos termos do Aviso 14/13 do BNA , 8 anos antes . Herdou activos no valor de 467.363 milhões de Kwanzas , resultados líquidos positivos de 4.198 milhões de Kwanzas e um passivo de 441.079 milhões de Kwanzas . Não é difícil verificar que não perdeu absolutamente nada , bem pelo contrário, ainda que tenham feito crer a alguns jornalistas o oposto .
Afinal , as mudanças do Executivo vigente só foram para pior . Mantêm-se as duas facções , uma mais enfraquecida , mas que também ainda não morreu , porque o Chefe da DT , Manuel Vicente , está no Dubai , tem antenas na SONANGOL e tem sido protegido pelo PR João Lourenço .
Da fome já nem se fala , devido ao encerramento das micro , pequenas e médias empresas , (que aumentaram o desemprego ) e à desvalorizando dos salários em cerca de 1.000% . Entretanto , a desvalorização administrativa do Kwanza e a inflação, empurraram as famílias a alimentarem-se dos contentores do lixo . Esse fenômeno nunca foi visto , nem durante o longo período de guerra , excepto nas zonas ocupadas .
Ate quando os angolanos conscientes e letrados vão fingir que não veem , nem entendem que estão a contribuir para a extinção dos angolanos em massa , por falta de condições condignas para sobreviver ?
Tudo isso será pela ambição de cair de paraquedas na cadeira de um qualquer Ministério , do Parlamento, , de um Tribunal Superior , ou da Presidência da República ?
– Então repetirão , que o PR “ é corajoso “ , possivelmente por nomear incompententes , comandados por assessores estrangeiros que os substituem . Enquanto isso , a população morre de forme , pede na rua e são enterrados diariamente às centenas , em todas as localidades do país .


