Por: Maria Luísa Abrantes
Data: 12/01/2026
O Executivo anunciou que a inflação em 2025 desceu aos 15,7 % , justificando a sua baixa acentuada relativamente ao ano de 2024 , em que foi de 27,5% , com o aumento da oferta de produtos e de serviços.
– Em primeiro lugar , não seremos os primeiros a questionar a fiabilidade dos dados estatísticos do INE , sobretudo nos últimos 8 anos , ( questionando sobre a qualidade dos dados estatísticos , compilados pelos diversos departamentos ministeriais enviados ao INE).
– Em segundo lugar , é prática o Estado solicitar empréstimos nos últimos meses do ano para cobrir o déficit orçamental . Isto é , para financiar o “ buraco “ quando a despesa é maior que a receita . Para cobrir essa falta de dinheiro, o governo pode ainda emitir títulos financeiros públicos .
– Em terceiro lugar , se o empréstimo for conseguido no mercado nacional , com a poupança local , o impacto directo na oferta da moeda é menor . O Banco Nacional de Angola mantendo as taxas de juro elevadas e o crédito caro , obriga a redução do consumo e por essa razão, não nos parece normal assistir-se ao fenômeno inverso .
– Só se entende que o consumo possa ter aumentado no ano de 2025 , ajudado no ultimo mês pelas compras de Natal e Ano Novo ( incluindo de produtos importados) . Não porque a produção e produtividade nacional tenham aumentado .
– Não existem milagres com o crédito à produção escasso e também não existem dados consistentes do Ministério do Trabalho , sobre a taxa real de desemprego .
– Porém , sempre que os empréstimos se destinarem ao investimento produtivo de longo prazo ( e vemos todos os ex projectos imobiliários do grupo dos DDT , de Manuel Vicente a “ bumbar“, não sendo anunciado a quem pertencem agora) , O IMPACTO PODE SER DIFERENTE e fazer baixar a taxa de inflação .
A maior verdade é mesmo que , os empréstimos de última hora apenas financiam o déficit orçamental , aumentando a divida publica e mais juros , a pagar pelos contribuintes .


